Dez anos de Educação Maker no Brasil: Casa Thomas Jefferson celebra pioneirismo e impacto na aprendizagem

Dez anos de Educação Maker no Brasil: Casa Thomas Jefferson celebra pioneirismo e impacto na aprendizagem

Movimento iniciado em 2014 em parceria com o Departamento de Estado dos EUA e a Rede Smithsonian consolidou o primeiro makerspace educacional bilíngue do Brasil.

Em 2014, antes mesmo da existência de ferramentas, máquinas, impressoras 3D ou espaços físicos dedicados à prática, a Casa Thomas Jefferson começou a formular uma pergunta que mudaria os rumos de sua abordagem pedagógica: como seria um ambiente educacional onde a prática e o aprendizado andassem lado a lado? Anos depois, a resposta se consolidou em um dos movimentos maker mais influentes da educação brasileira.

Iniciado com intercâmbios pedagógicos em San Francisco e Washington, em parceria com o Departamento de Estado dos EUA e a rede Smithsonian, o projeto ganhou corpo em 2016 com a abertura oficial do seu primeiro makerspace, o Thomas Maker. A partir daí, o que era um espaço físico transformou-se em uma cultura que se espalhou por salas de aula, multiplicou pedagogias e transformou a forma de aprender ensinar na Thomas. “Tudo começou com um convite do Departamento de Estado dos EUA para implementarmos a cultura maker no Brasil. Naquela época, pouco se falava sobre este modelo, então por dois anos fomos buscando, aprendendo e colocando em prática aos poucos até se consolidar no que seria o primeiro espaço do fazer educacional bilíngue da América Latina”, relembrou a coordenadora do Thomas Maker, Soraya Lacerda.

Mais do que uma metodologia, o movimento maker propõe novas formas de pensar. Estimula a criatividade, a invenção e o desenvolvimento de múltiplas habilidades cognitivas e socioemocionais. Na mentalidade maker, errar ao experimentar faz parte do processo. É uma oportunidade de aprender, criar e tentar novamente. Colocar a mão na massa transforma a aprendizagem em algo mais dinâmico, diverso e significativo.

Segundo a coordenadora do Thomas Maker, o início do projeto na Thomas Jefferson foi, na prática, o conhecimento desta abordagem.  “Nós vivemos de fato a pedagogia do aprender fazendo, porque iniciamos algo que era novo para nós e no Brasil. Tivemos que aprender, acertar, errar, tentar de novo e buscar o caminho do que seria o makerspace. Nossa história é muito isso, aprendemos na prática e adaptando para as diferentes necessidades que iam surgindo. Isso é a abordagem maker na sua essência. Os estudantes são estimulados a experimentar, resolver problemas e aplicar seus conhecimentos em diferentes contextos, sem um modelo pronto a ser seguido”.

Ao longo dessa década, outro destaque do Thomas Maker foi a Certificação de Educador Maker. A instituição compreendeu que a transformação da educação começa por quem está na sala de aula. O programa de formação ficou entre os projetos vencedores do Desafio de Aprendizagem Criativa Brasil (DAC), em 2019, e que teve apoio da Fundação Lemann e do MIT Media Lab. Os vencedores ganharam um fellowship dos apoiadores para continuarem implementado o trabalho.

Atualmente, o Thomas Maker fica na unidade da Casa Thomas Jefferson Asa Norte, em Brasília (DF), mas o maker movement levou a metodologia para outras unidades com os Maker Corners nos Resource Centers – espaços equipados dentro de cada unidade com ferramentas, materiais e professores formados para usar tudo isso nas aulas.

O resultado é uma pedagogia maker presente em diferentes contextos, níveis e disciplinas, muito além das paredes da Asa Norte. “A criação dos Maker Corners nos Resource Centers foi o que transformou o Thomas Maker de um espaço em um movimento de fato. Em vez de concentrar tudo em um único endereço, a Thomas levou o aprender fazendo para dentro do cotidiano de cada unidade, formando professores e equipando espaços para que o ‘fazer’ fosse parte da experiência regular do aluno, promovendo habilidades essenciais para que nossos jovens tenham disposição de construir soluções reais, com os recursos disponíveis“, finalizou Soraya Lacerda.

UDICULT

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