1° Gente em Rede 2026 debate ECA Digital, limites e saúde mental de crianças e adolescentes
Evento do Gabarito Educação reúne especialistas para discutir sobre proteção e o papel dos adultos na era digital
O avanço das tecnologias transformou a forma como crianças e adolescentes se relacionam, aprendem e se expressam. Mas, junto com as oportunidades, surgem novos desafios, e a necessidade de orientação se torna urgente.
É com esse olhar que o Gabarito Educação promove o 1º Gente em Rede 2026, um encontro que convida famílias e educadores a refletirem sobre os caminhos para proteção no ambiente digital.
O evento acontece nesta quarta-feira, às 19h, e contará com a participação da advogada Júlia Abdalla e do psiquiatra Túlio Teixeira, que vão abordar, de forma prática e acessível, temas como limites, saúde mental e os impactos das telas na infância e na adolescência.
O mundo digital exige novos cuidados
Se antes a preocupação dos pais estava restrita ao mundo físico, hoje ela se estende também ao ambiente virtual, no qual crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo.
Redes sociais, jogos online e aplicativos fazem parte da rotina, mas também podem expor os jovens a riscos como cyberbullying, excesso de estímulos, coleta indevida de dados e conteúdos inadequados.
Diante desse cenário, o Brasil avançou recentemente com a criação do chamado ECA Digital, uma atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente voltada ao ambiente online. A nova legislação estabelece regras para plataformas e reforça a responsabilidade compartilhada entre família, sociedade e empresas na proteção dos jovens.
Além disso, a lei prevê medidas como verificação de idade, ferramentas de supervisão parental e maior controle sobre conteúdos e publicidade direcionados ao público infantojuvenil.
Limitar também é cuidar
Mais do que proibir, o desafio atual está em orientar. E é justamente esse equilíbrio que será discutido durante o evento.
Segundo a advogada Júlia Abdalla, o ECA Digital é uma legislação que veio regular como as relações envolvendo crianças e adolescentes ocorrem no mundo digital. “O objetivo dessa legislação é proteger esse público, garantindo que acessem conteúdos realmente direcionados a eles e que seus dados e seu perfil de comportamento não sejam utilizados pelas empresas de forma abusiva”, esclarece.
A legislação é um avanço, entretanto não substitui o papel da família. O ECA Digital fortalece direitos, mas a proteção começa dentro de casa, com diálogo e acompanhamento.
Saúde mental em foco
“A lei tem um aspecto jurídico, um aspecto legal, porém ela veio também pelo histórico que nós temos observado não só da saúde mental, mas também da sexualização das crianças. Pretendemos que seja uma conversa com os pais sobre esse assunto, sobre a importância, sobre o que a lei fala, o que eles podem buscar, quais formas de se proteger, quais sinais eles têm que observar”, explica a advogada.
O psiquiatra Túlio Teixeira traz para a conversa um aspecto essencial: os efeitos do uso excessivo de telas na saúde emocional de crianças e adolescentes.
Ansiedade, dificuldade de concentração, distúrbios do sono e dependência digital são alguns dos sinais que merecem atenção e que reforçam a importância de uma relação mais equilibrada com a tecnologia.
A proposta do encontro é justamente ampliar esse olhar, conectando legislação, comportamento e saúde mental em uma abordagem integrada.
Um convite ao diálogo
Mais do que um evento, o Gente em Rede se propõe a ser um espaço de escuta, troca e construção coletiva.
Em um cenário em constante transformação, educar também passa por aprender e estar aberto a repensar práticas, estabelecer limites e fortalecer vínculos.
Para pais, responsáveis e educadores, o encontro é uma oportunidade de adquirir conhecimento, tirar dúvidas e, principalmente, se sentir mais seguro diante dos desafios do mundo digital.

