Decisão do STF sobre licença-maternidade chama atenção para realidade da adoção em Uberlândia
Em Uberlândia, 173 famílias estão habilitadas para adoção; 13 crianças e adolescentes estão aptos a serem adotados; Pontes de Amor A instituição atua na preparação dos pretendentes e no acompanhamento das famílias, contribuindo para que a chegada do filho por adoção seja construída de forma responsável
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de igualar os direitos de mães biológicas e adotivas na licença-maternidade, garantindo 120 dias de afastamento remunerado, prorrogáveis por mais 60 dias, coloca em evidência também a importância do período de adaptação e construção de vínculos entre famílias e filhos por adoção.
Em Uberlândia, dados da Vara da Infância e Juventude mostram que 173 famílias, entre casais e solteiros, estão atualmente habilitadas para adoção. Ao mesmo tempo, 13 crianças e adolescentes estão hoje aptos à adoção. Outros 11 estão em aproximação para conhecer famílias.
Os números de adoções concluídas na cidade foram 38 em 2024, 28 em 2025 e 23 em 2026 até agora. Entre as crianças e adolescentes atualmente aptos à adoção, o perfil predominante é de adolescentes. São 11 adolescentes e 2 crianças.
A diferença entre o número de famílias habilitadas e o perfil das crianças e adolescentes disponíveis ajuda a explicar parte dos desafios enfrentados pelo sistema de adoção. Embora muitas pessoas estejam habilitadas para adotar, nem sempre há correspondência entre o perfil buscado pelos pretendentes e o das crianças e adolescentes que aguardam uma família.
“Um dos grandes desafios que enfrentamos hoje é encontrar famílias dispostas a adotar adolescentes. Muitos pretendentes ainda chegam ao processo de adoção com o desejo de receber um bebê ou uma criança pequena, mas a realidade mostra que existem adolescentes esperando por uma família. A decisão do STF é importante porque reconhece que a chegada de um filho por adoção também exige tempo para adaptação, convivência e construção de vínculos, independentemente da idade. Precisamos ampliar esse olhar e mostrar às famílias que a parentalidade adotiva pode ser construída em diferentes fases da vida”, diz Sara.
Preparação para a adoção
É nesse processo de preparação, orientação e acompanhamento que atua a Pontes de Amor, Organização da Sociedade Civil, que atua em Uberlândia, lutando pela garantia dos direitos de crianças/adolescentes à convivência familiar e comunitária.
A instituição também atua na preparação dos pretendentes e no acompanhamento das famílias, contribuindo para que a chegada do filho por adoção seja construída de forma responsável. O trabalho envolve temas como expectativas, vínculo, adaptação e os desafios que podem surgir durante a convivência.
Na visão da presidente da Pontes de Amor, Sara Vargas, nesse cenário, a decisão do STF acrescenta um importante aspecto à realidade das famílias adotivas: o reconhecimento de que o período de afastamento do trabalho também é necessário para que mães e filhos tenham tempo para estabelecer a convivência e fortalecer os vínculos.

